Sexta-feira, 1 de Julho de 2005

Meu lindo Algarve do céu Azul...

olhao.jpg

Pensei deixar-vos este fim de semana com algo sobre a minha terra. Eu sou de Olhão, uma cidadezita no Algarve. Cidade cubista, dedicada em grande parte à actividade pesqueira. Queria partilhar convosco um texto de António Algarve, um conterrâneo, que escreveu o livro GENTE DE OLHÃO O seu Humor, a sua graça..., que descreve o mais belo que há em Olhão e o que sinto ao viver aqui, juntamente com umas peripécias de gente pacata e humilde que habita (alguns, infelizmente, já nos deixaram) nesta cidade à beira-mar plantada! Espero que gostem, pois se assim fôr, existem muito mais histórias que vos posso contar. Neste texto irão encontrar passagens escritas exactamente como os pescadores falam aqui em Olhão. Por isso leiam exactamente como está escrito.


Canários Fritos


"Eu gosto do campo, às vezes, mas do mar eu gosto sempre.


Gosto do campo em Janeiro, quando bailam no ar as mil promessas da Primavera que se aproxima. Quando a terra, que as chuvas do Inverno revigoraram, se desentranha em vegetação e flores mil, que atapetam o chão e encristam os valados caiados de branco. O céu é de um azul rutilante e o Sol põe vida e laivos de ouro na policromia que nos rodeia. O ar é então tão límpido que faz com que no horizonte o longe pareça perto. O cerro de S. Miguel, que nos dá a impressão de ser já ali, toma tons variados de azul-cinza, cinza-negro, cambiantes de verde e laivos de lilás.


E é nesse cenário quasde quimérico, nesta quadra do ano, que as amendoeiras florescem. E, revestidas de branco, tão brancas e tão puras, é como se as moças do meu Algarve fossem casar no mesmo dia.


Gosto, depois, do campo, do Verão, quando o ar já é morno na manhã que começa, e nas pitas, que em valados separam as terras, a coroarem-se de figos, o Sol faz cintilar as gotas do orvalho. É como se, na noite que passou, o céu tivesse aberto numa chuva de diamantes.


Nas horas de mais calor, sem vivalma que se aviste ou asa de pássaro que rasgue o azul celeste, a vida parece ter parado e o campo lembra uma enorme tela, obra de um pintor gigante que esbanjasse tintas de uma paleta de crai fantasias. De cada cor, por toda a parte, há miríades de matizes, e no espaço não há uma brisa que tremule uma folha, que faça desprender uma pétala ou que movimente os odores que evolam. O ar está saturado desses cheiros que, como da transpiração de corpos, se volatilizam, de árvores e de frutos, das roseiras de armar e das madressilvas que formam arco sobre as portas dos casais. E como que mulheres parideiras, dessas que desfazem em filhos, um agarrado às saias, outro ao peito e já um na barriga, as árvores desfazem-se em frutos. Por toda a parte há perfume, há cor, mais perfuma, mais cor, "... campos de verde alacre, onde zombem as cores..." É o Algarve de João Lúcio:


"Ó meu Algarve impressionista e mole,


Meu lindo preguiçoso adormecido ao sol,


Meu louco sonhador a respirar quimeras"


É assim que eu gosto do campo. Mas do mar eu gosto sempre, todos os dias que compõem o ano, quer nos temporais do Inverno quando ele se encapela e enfurecido investe contra a terra deste povo que o domina, quer ele, mole e preguiçoso, se venha abandonar na praia.


E gosto de falar com os marítimos, que são gente que sabe dos ventos e das marés, de barcos e de todos os peixes que há, desde a vulgar sardinha ao misterioso"peixe que engoliu o chino!. Isto é gente da gente que foi no caíque para o Brasil, é gente que conhece o mar de Larache ou a linha do contrabando, a carreira de Gibraltar e de Marrocos. Outros andaram no bacalhau ou tentaram a sorte nos Estados Unidos:


- Ê cá... pôs ê trabalhi das armações em Massachutâze, um tempe. Mai despôs fui-me a endar ó camarão, lá pró Sul. Pôi ê sô do tempe do sê pai, do Iria, do Aleluia, do "Lit Pit" e do "Songa Monga"... Esses erem ôtreze tempeze, nam se fazia munte, nam é cóme agora. Você nam vei cóme essa gente vem? O Manel Ramireze - o filhe do Mestre Ramireze -, o Jôquim dos begodeze, e ôtreze quê cá tenhe óviste alumiar. Tóm podreze de requêza...


O marítimo tem senso de humor, qualidade que vai sendo rara entre outras gentes. O marítimo tem piada, cultiva a graça:


- Compadre, o sê filhe tá gorde... - o moço, magro como um palito.


- Tá gorde, tá, pró lade do osse..


O homem do mar tem resposta para tudo, se não na ponta da língua às vezes, não nos faz perder pela demora...


Numa tarde de Verão, há alguns anos, estava o "Manelim Corta-machados" lá baxe junto à arrelampa do clube naval, quando chegou uma caravana de automóveis e deles saíu um grupo de "gente fina", vestindo boas roupas de praia e trazendo luxuosa bagagem. No ar, à sua volta, cheirava a loções e a cremes.


A ilha da Armona, até este tempo, não tinha ainda sido descoberta por gente de fora. Quem para lá ía era gente de Olhão, envergando roupa usada, "para não estragar a outra melhor". Por isso o Manelim estava extasiado com tanto luxo, tanto perfuma, tanta beleza. E, quando a sua curiosidade já não podia mais, acercou-se de um industrial de conservas de peixe que estava por ali e perguntou-lhe:


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publicado por igara às 21:34
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6 comentários:
De Anónimo a 4 de Julho de 2005 às 17:31
Entã vou ficár á espéra qu'o engenhe se movimente, porque tou ficande em pulgas, mas entretante, leva bêjos, quê cá tespére! ::)))
igara
(http://www.bloguiando.blogs.sapo.pt)
(mailto:igara@sapo.pt)


De Anónimo a 4 de Julho de 2005 às 17:22
Ê bem que queria continuar o conte, mas este engenhe nã anda pá frente e ê nã tou conseguinde!!! Assim quê conseguir ê escrêve lá tudinhe! Bêjos pa voceias todes!pataininiti algarvia
(http://bloguiando.blogs.sapo.pt)
(mailto:pataininiti@sapo.pt)


De Anónimo a 4 de Julho de 2005 às 16:38
Oh mana é bem verdade, que fiquei aqui prantelhada á espera da continuação do teu conte, que inté esta data, não foi publicade. Num tá certo, pois que num está! hihihihihhihi Beijo beijo beijo ::)))igara
(http://www.bloguiando.blogs.sapo.pt)
(mailto:igara@sapo.pt)


De Anónimo a 4 de Julho de 2005 às 09:58
Patai,

muito bem!!! Gostei do que li :) Tem piada eu descobri a «ilha da armona» apenas no fim-de-semana passado.

beijopluma
(http://www.princesavirtual.blogs.sapo.pt)
(mailto:www.plumacaprichosa@hotmail.com)


De Anónimo a 2 de Julho de 2005 às 15:32
Epa isso n vale .. deixares o ppl à espera da pergunta o FDS todo :s n é justo :s :P logo agora q eu estava tanto a gostar da descricao.Passo
</a>
(mailto:Passodianist@hotmail.com)


De Anónimo a 2 de Julho de 2005 às 11:48
É ternurenta a forma como amas a tua terra. Em cada palavras que escreves se sente o amor que tens pala cidade onde nasceste. E tens razão para isso. Olhão é uma linda cidade, talvez uma das ultimas resistentes à onda de descaraterização que tem vindo a assolar o Algarve, e a destruir tudo aquilo que de genuino e autentico ele tinha, e que o tornou conhecido no mundo.
Ao ler este teu texto recordeu a primeira vez que visitei Olhão, há mais ou menos 35 anos.
Fui lá com o Sintrense defrontar o vosso Olhanense. Era um domingo de Janeiro, e estava um frio de rachar.
Um grande beijinho para ti e continua a defender a tua terra sempre com esse amor e determinação. PinóquioPinóquio
(http://www.riscosrimasebonecos.blogs.sapo.pt)
(mailto:pinochio@sapo.pt)


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