Volta...
Eu sei que vais voltar...
Sei que é só uma questão de tempo
Vais começar a sentir a ausência...
A Ausência
Do meu cheiro,
Do meu gosto,
Dos meus beijos,
Do meu calor,
Da nossa paixão...
Vais tentar conquistar tudo isso noutros corpos,
Noutros lábios...em vão!
Porquê?!
Porque eu vou estar lá, em espírito, a pairar nos teus pensamentos...
E por muito boas que sejam as tuas amantes, no fim, só vai ficar o sabor do vazio...
Porquê?!
Porque é a mim que tu Amas!
E só quando tiveres consciência que essa tua busca de mim só irá terminar quando me reencontrares,
Despirás esse teu fato de cobardia e orgulho e tomarás o caminho até mim...

A minha Luz
Chamavas,
Com voz rouca e hesitante,
Eras o som que me acalmava
Fresco, quente, excitante.
Chamavas,
Sussurrando os mais leves tons de cor,
A tela do coração pintavas,
Apagando a cor da dor.
Chamavas,
E mergulhei em todo o teu ser
E a vida de novo me davas
Voltei a ser Mulher,
Chamavas,
Murmurando carícias
Afagando-me com delícias
Chamavas,
Enchendo-me de alegria
Vivendo, como último, cada dia
Chamavas,
E teu murmúrio segui
Não posso ser feliz sem ti.
Para a minha querida Nizé
Hoje acordei com o pensamento na Nizé! Vou falar-vos dela, para a partilhar um bocadinho….
Nizé entrou na minha vida, pelas mãos do João, tinha eu 13 anos. João era filho de Nizé e meu primeiro namorado. Quando João ma apresentou, Nizé franziu o sobrolho, olhou e disse-me “Eu queria conhecer a menina que arranca o João dos livros”, depois, rasgou um sorriso e acrescentou “gosto de conhecer, quem quer bem ao João!”.
Nesse dia gostei simplesmente da Nizé! Sempre que ela saía para trabalhar e nos deixava sozinhos em casa, fazia questão de deixar bem claro que confiava em nós, e que se nós gostávamos um do outro, jamais faríamos coisas de que nos arrependêssemos. A confiança que ela tinha em nós nunca foi traída, mesmo porque era a primeira vez que alguém confiava em mim, e eu jamais a desiludiria.
Sempre que eu chegava perto da Nizé, dava-lhe um beijo, e enquanto a abraçava perguntava-lhe rindo :- “Nini, será que hoje, ainda gostas de mim?”, ela, quase sempre respondia, que eu era a Índia mais bonita que ela conhecia, e corria, logo de seguida, a fazer os bolos de coco, que faziam as minhas delicias.
Muitas vezes, enquanto o João estudava, eu e a Nizé conversávamos horas a fio. Eu, que desde pequena adorava ouvir histórias, ouvia, sorvia, e deixava-me embalar, pelo som que o mar tinha, nas palavras da Nizé. Falava-me de Luanda, dos seus, de tudo o que deixara para trás, mas falava muito na árvore do seu coração, o Embondeiro, foi pelos olhas dela, que conheci a grandeza do Embondeiro. Cantávamos e dançávamos, tendo sido ela a minha professora de Kizomba, a pessoa que descobriu que eu dançava muito bem, segundo ela fazia questão de dizer a toda a gente.
Nizé foi a negra mais linda que cruzou a minha vida, uma das mulheres mais bonitas e mais meigas e que conseguiu fazer, com que eu com apenas 13 anos, brilhasse todos os dias. Era como uma estrela para mim.
Certo dia de Junho, estando eu à beira de regressar definitivamente a Lisboa, Nizé disse-me que me queria falar. Eu larguei tudo e corri para o colo da Nizé. Estranhamente, os olhos dela não brilhavam como de costume e as rugas da testa estavam mais profundas, o sorriso não era tão grande, e à minha pergunta habitual, ela respondeu de forma diferente: -“ Gosto de ti, como de uma filha!”. Percebi imediatamente, que ela se queria despedir de mim, e o meu coração ficou pequeno…eu andava a adiar aquele momento à tanto tempo, e agora, a frontalidade da Nizé , deixara-me desarmada. Agora era tarde para ser forte, porque as lágrimas corriam copiosamente, e apenas me restava buscar consolo, no ombro da que tinha sido, a mulher mais criança, de que eu tinha memória. Mas Nizé nesse dia, decidira dar-me uma lição de vida, olhou-me nos olhos, pegou na minha mão, como que a pedir a minha atenção, e começou a falar para mim. Esta abordagem era nova, ela havia sempre falado para nós (eu e João), tinha falado dela, dos seus, mas nunca directamente para assuntos relacionados comigo, ela nunca havia falado para mim! Foi então que começou dizendo: “ Na vida, terás que aprender, que a beleza das coisas está em dar e receber! Não adianta dar como tu dás, se o que recebes em troca, é muito pouco. Se achas que eu não tenho razão, pensa comigo. O teu riso, encheu a minha casa, os teus gestos e o teu jeito, encheu o coração do João, a tua ternura, encheu o meu coração de mãe….que tiveste em troca? Muito pouco….merecias muito mais! Sempre que deres farinha, espera receber em troca pão ou bolo… Sempre que deres sorrisos, tens que esperar receber em troca gargalhadas… Sempre que deres amor, tens que receber, no mínimo, respeito. Não há nada que faças, que não tenha outro gesto como retorno, como tal, cuida que os gestos que fazes, estão de acordo com o que o teu coração quer, porque só assim, ele vais estar preparado para receber o gesto de retorno.”
Muito mais nós falámos nesse dia, entre choros e gargalhadas, mas acabámos por brindar no fim do dia, com bolos de coco e sumo de laranja.
Nesse dia à noite, eu e João descemos à praia, o mar estava calmo, a ondulação esbatia-se mansamente no areal. Sentados à beira mar, olhámos o Mar em redor. João, abraçou-me, beijou-me na testa (segundo ele, era sinal de respeito), conversámos muito tempo, e acabou por me confessar, em tom de brincadeira, que por vezes, tinha a sensação que eu gostava mais da Nizé do que dele. Selei a conversa com um beijo profundo, um daqueles beijos que acontecem sempre à chegada e ás despedidas, um beijo intenso, que nos fez tremer a ambos.
Nesse dia, pela primeira vez, falei ao João dos meus sentimentos, dos meus medos, dos meus desejos, ele, o meu querido João, ouviu-me e respeitou-me e sei que até hoje, me guardou no seu coração, em lugar especial.
Nizé, ficou para sempre nas minhas memória, como sendo a pessoa que mais me fez crescer num dia…Nizé, foi sem duvida a Negra mais linda, que alguma vez conheci!!!!
SONHOS (X)
Tenho um Amigo que sonha. Talvez por estar na idade dos sonhos.
É o meu melhor Amigo. Não me canso de lho dizer.
Lembro-me vagamente de já ter sonhado. Sonhado o quê? Já não sei.
O meu Amigo partilha comigo os seus sonhos. Começo a recordar.
Por isso tenho esperança.
Esperança de um dia acordar e assim voltar a sonhar.
O meu Amigo tem cinco anos.
É o meu Filho.
É o meu Heroi.
@utor : XXPIRRO
Sonhos (IX)
Quando se ouve ou lê a palavra sonho, as primeiras coisas que nos vêm à cabeça estão relacionadas com desejos, os sonhos apenas nos transformam esses desejos em imagens, com as quais nós nos deliciamos durante a noite, e muitas vezes nos deliciamos durante o dia. Para mim existem duas frases que traduzem bem o que realmente os sonhos são e passo a citá-las: “ O sonho comanda a vida”; “ Deus pensa o homem sonha e a obra aparece”. Bem poderia escrever linhas e linhas sobre estas duas frases, mas acho que cada um dos que as lê tem a sua própria interpretação das mesmas. Vou apenas fazer referência a uns factos históricos que estão directamente relacionados com os sonhos.
Em primeiro gostava de mencionar o grande Miguel Angelo (não o vocalista dos Delfins) o pintor, escultor, inventor, pois bem este senhor há muitos anos atrás “sonhou” com uma maquina que voasse, e nada mais fez do que tentar passar esse seu sonho, esse seu desejo para a realidade, e realmente sem a ajuda dele provavelmente nos dias de hoje ainda não teríamos aviões (exagero) mas a questão aqui é que ele acreditou nos sonhos dele.
Noutro campo temos o famosíssimo Mather Luther King, quem não se lembra da sua celebre frase “ I have a dream” pois bem e ele acreditou tanto no seu sonho que conseguiu concretiza-lo, acabou com a escravatura nos estados unidos.
Para terminar os exemplos e para termos a perfeita noção que nem todos os sonhos/desejos são bons, vejamos o caso do tão conhecido Hitler, ele próprio teve um sonho, o de ter uma nação com o chamado povo perfeito e agarrou-se a esse sonho e tentou realiza-lo, felizmente para todos nós (menos para os alemães) ele não conseguiu concretiza-lo. Com esta conversa toda o que eu quero dizer é que devemos todos sonhar, pois isso é que nos dá a energia para viver o dia a dia, devemos sempre tentar alcançar os nossos sonhos, não através da velha máxima de atingir os fins sem olhar a meios, mas tentar porque isso chama-se viver, salvaguardando sempre e fazendo a distinção entre sonhos bons e sonhos maus para não voltarmos a ter uma guerra mundial só porque alguém sonhou com algo que não devia.
@utor: Conhecedor
Por favor não me perguntem
Por favor não me perguntem,
O que é que eu quero ser,
Quando for grande e crescer!
Posso ser Advogado,
Médico ou Veterinário,
Posso ser um Vendedor,
Padeiro ou Agricultor,
Eu sei é que posso ser,
Tudo aquilo que eu quiser!
Também sei que vou estudar,
Ler e por mim pensar,
Para poder decidir,
Tudo aquilo que vou ser,
Quando for grande e crescer.
Mas agora eu sou menino,
E só sei que quero brincar,
Com o meu irmão João,
Longas horas sem parar!
@utor: Diogo, 7 anos
PARA TI
Relembro as tarde de sol, em que andávamos sorridentes pela praia .Aquele beijo no paredão...... e o crepúsculo mais lindo que já vi. Fui até a beira das pedras puxaste-me para trás...
- Vais cair......
E abraçaste-me como quem protege o meu corpo de todos os males do mundo. Abrimos os braços e entregamo-nos ao vento... A tarde caía solene, as águas douradas do mar fascinavam quando reflectidas no verde dos teus olhos. E tu sempre preocupada com os cabelos, que eu despenteava de propósito...a tua carinha com o cabelo desgrenhado é a coisa mais linda que já vi. O barulho das ondas batendo e um “és a melhor coisa que já me aconteceu!" deixa-me sem forças
- Senta-te aqui amor, deixa-me olhar para ti, deixa...
No teu olhar procurei a cor da minha alma. No teu toque encontrei o sentido da vida. No teu beijo entendi o porquê do meu coração bater descompassado...
E já não me importa todo o cliché destas linhas. E já não me importa o que vão pensar. O que me importa, o que me importa de verdade, é ter-te agora ao meu lado, e poder chamar pelo teu nome, e dizer sussurrando bem perto do teu ouvido:
- Amo-te!
@utor: h_sexy
Á procura de mim...
Encontrei-me perdida, assustada, sozinha. Soltando a liberdade num infinito desconhecido entreguei a alma ás incertezas que me seguiam... E deixei-me guiar em passos inseguros, na direcção do abismo.
Numa atracção sentida, fiz um julgamento interno, deixando-me guiar pela ilusão. Com a certeza contraditória daquilo que senti, ao imaginar que o abismo seria a conquista da liberdade, onde poderia voar pelos sentimentos. Desejando para mim mesma, a libertação de mim, fiz dos meus passos um ritmo acelerado...
Queria lá chegar, cair no oculto e agarrar o espaço vazio, na tentativa de preencher o meu próprio sentir. Senti-me perdida, confusa... Na imensidão da liberdade, quis-me encontrar. Queria a conquista do abismo, mas a crueldade do desconhecido, transmitia-me um medo sufocante, paralizante da coragem que me fazia caminhar, na direcção do destino que julgava tão perto de mim.
Procurei no caminho a segurança, tentando não dar nenhum passo em falso, que provocasse a queda da minha decisão... Segui em frente... Á procura de mim, tentei-me encontrar. Sem conseguir dominar os sentidos, deixei que lágrimas soltas me alertassem para o objectivo da minha caminhada. Lutando contra a minha própria vontade... Devagar... Segui em frente.
Embriagada pelo cansaço, deixei que o espirito numa luta desigual, fizesse prisioneiro o meu corpo... e juntos caíssem no abismo que procurava. Rendida, julguei alcançar o desejado encontro. O encontro de mim mesma... Vencendo os meus medos, fechei os olhos. E deixei uma paz inócua invadir-me de certezas, desenhadas pelo oculto... Fazendo-me acreditar que a conquista do abismo, não é de todo o encontro do que procuro, e que jamais me encontrarei... Sentindo-me vaguear pelos mistérios do infinito, agarro-me á esperança que alguém me possa encontrar perdida dentro de mim ...
@utora: A.Feiticeira...
Sonho de um entardecer de Inverno … (Sonho VIII)
Surgistes do nada sem ser esperado
Nessa espera tardia dos vencidos
E eu quis inventar-te logo ali
Na exacta medida do meu tempo…
Em teu corpo latejante e destemido
Na tarde sóbria e soalheira desse Inverno
Pressenti a tempestade anunciada
No fogo do azul índigo, perturbante…
Sorri, pretensiosa, ao teu olhar
E nele vi urze, sol e cotovias
Sem cuidar que dos acasos somos cúmplices
E nas escolhas condenados sem grilhetas
Antevi a tua boca sussurrante,
Em queda livre colar-se ao meu ouvido
Nesse breve entardecer em que os amantes
Premeiam a loucura e os sentidos
E no ardor da chama embriagante
Fostes abismo, delírio e fantasia
Devaneio em turbilhão que tudo arrasta
Desalinho intemporal que não resiste
Foi decerto arredio o nosso encontro
Mas de tão esquivo, profundo na estocada
Porque há sonhos insuspeitos à chegada
Cruéis como a noite mais gelada
@utora: Essa_Miúda - Outubro 2005