Sexta-feira, 27 de Maio de 2005

É o sucesso pecado??

Na passada semana fiz uma frequência de Português. E o texto que nos foi entregue para analise é este que se segue. Peço desculpa pela sua extensão, mas achei-o deveras interessante e não podia deixar de partilhá-lo convosco. Se não forem ligados a algum tipo de religião, gostava pelo menos que o lessem tendo pelo menos como base a condição humana.

Numa das suas recentes edições, a Harvard Business Review, uma das revistas de referência para os homens e mulheres de negócios, tratou o tema do sucesso numa optica espiritual.
Uma longa comversa com o padre Peter J Gomes, professor de Moral Cristã, desde 1974, na Universidade de Harvard, e um dos mais respeitados e conhecidos pregadores norte-americanos, percorreu as questões essenciais de um dos dilemas humanos contemporâneos: a aposta de vida no sucesso e na riqueza é compatível com a rectidão moral e espiritual de um cristão?
É desde logo apelativo verificar como esta questão é considerada actual e crítica no mundo dos negócios norte-americano. É também apelativo perceber como o capitalismo, na sua pátria de referência, é confrontado, de um modo tão profundo e pressionante, pelos grandes valores da civilização que gerou. É, por fim, apelativo o conceito que não confunde ricos com milionários, antes estende a noção de riqueza a todas as classes em ascensão, em luta e com perspectiva de enriquecimento.
O efeito mais relevante de toda a reflexão é o de nos perguntarmos se uma sociedade que tende a esgotar o Homem na sua dimensão produtiva e consumista é uma verdadeira sociedade personalista.
É o Homem o fim último de uma sociedade que, para triunfar, o aliena?
Não corre o capitalismo o risco de, tendo como fundamento o pensamento personalista, redundar, na realidade, numa sociedade que poderia ser concebida à luz de um pensamento transpersonalista?
No fundo, temos uma sociedade vocacionada para promover a felicidade das pessoas, ou, pela vertigem material e competitiva, confrontamo-nos hoje com uma sociedade que se vocacionou para o seu êxito abstracto, à custa da felicidade das pessoas?
Somos uma sociedade riquíssima em escolhas. E em grandes escolhas? Que espaço de decisão sobra para o comum dos mortais?
Vale o sucesso, uma família, vale a riqueza, a dimensão afectiva do ser humano, vale a carreira o abandono das crianças ou dos mais velhos?
"Uma das primeiras coisas que o rico descobre é que nunca é suficiente o que adquiriu, ao mesmo tempo que desenvolve um medo profundo de perder o que obteve", diz a dado passo.
A sociedade da liberdade tende a construir Homens livres ou Homens dependentes? A resposta há-de ser individual, mas a equação a resolver destina-se a todos e a cada um.
Adiante interpela: "Pessoas de negócios bem sucedidas perguntam-me, como dhei-de conciliar o meu sucesso com a minha sensação de vazio?"
Esta parece ser a pedra angular do raciocínio. Na hierarquia dos valores de cada Homem, onde fica o sucesso? É o sucesso um meio, ou um fim, é o sucesso uma responsabilidade - a quem mais for dado, mais será exigido - ou um bem que se usufrui egoisticamente?
"Os negócios, a riqueza, têm de ser meios e não o fim. Se se considerar o sucesso nos negócios como o objectivo último da vida, então o sucesso será grande, glorioso, impressivo, mas no final vazio e fútil."
A tensão entre sucesso é fé é inevitável. Deve o Homem de fé habituar-se a essa tensão. Depois, há que entender o valor e as responsabilidades que decorrem do sucesso e da riqueza e daí extrair as consequências.
A questão estende-se, todavia, a todos os Homens, com fé ou sem ela. A interpelação, antes de ser espiritual - não atribuir o sentido último da nossa existência terrena ao que é terreno - é profundamente humana, porque vai directa ao mais profundo do ser humano, à sua identidade, à sua natureza.
Afinal, todo o Homem que tome o sucesso e a riqueza como fins últimos da sua vida corre o risco enorme do vazio.
Para o crente e para o não crente a doença é a mesma. A única diferença está no facto de o vazio ser, para o crente, o sinal intorneável do seu pecado. Aquilo que lhe falta é aquilo em que está em falta.
(António Pinto Leite in Actual, revista do Jornal Expresso, 3 novembro 2001, p.20.)
publicado por igara às 16:29
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3 comentários:
De Anónimo a 30 de Maio de 2005 às 13:58
Bemmmmm, estou estardalhada...mas deixa-me ver... vou tentar ser clara. A riqueza pode também ser uma forma de realização pessoal. Saber que se trabalha para conseguir-mos bem estar para nós e para os nossos, tem que ser sempre valorizado. A questão está em saber demarcar bem os limites da nossa ambição, e não ambicionar mais que aquilo que pode estar ao nosso alcance. A educação deve refletir bem os nossos limites, e deixar sempre em aberto as vivências. Tem que se viver sempre e muito, intensamente, dessa forma a riqueza, pode ser edificada de uma forma equilibrada, nunca esquecendo os valores a que nos mantemos fiéis. beijo ::)))igara
(http://www.bloguiando.blogs.sapo.pt)
(mailto:igara@sapo.pt)


De Anónimo a 30 de Maio de 2005 às 11:20
Concordo com este ponto de vista, porque por mais bens materiais que consigamos obter, se esses bens não servirem para nos sentirmos realmente bem conosco e não para agradar a uma sociedade abstracta,de nada valem e daí o vazio.Gonças
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(mailto:goncalomrodrigues@hotmail.com)


De Anónimo a 30 de Maio de 2005 às 09:50
Fogo cum catano :s .. logo pela manha e a ter q ler tal e extenso texto heehheeheh :s bem eu n sendo uma pessoa religiosa, apesar de ter feito a primeira comunhão q todos esses rituais católicos, e mt menos capitalista, pois n ligo ao dinheiro nem a essas coisas associadas ao sucesso e tal, nc me preocupei minimamente com isso. Mas poderia afirmar q, em mnh opiniao, o homem so sera verdadeiramente completo, feliz e com sucesso qd deixar de correr atras das coisas, do dinheiro do poder, deixar de olhar tanto p o seu umbigo e passar a preocupar-se com a vida em si, vive-la e n apenas passar p ela :)) Passo
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(mailto:Passodianisto@hotmail.com)


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