Segunda-feira, 16 de Maio de 2005

Igha Ara

“Ao nascer foi marcada pela contemplação, Igha Ara, Pôr-do-Sol, foi o nome que lhe deram e que Igara respeitou até morrer!”

Igara vivia entre os seus. Viveu lá muito tempo. Mas o seu coração já há muito se perdia em sonhos e em voos (mais altos que o próprio Sol), que iam muito além da sua tribo. Pediram-lhe os seus, que fosse buscar o seu espirito que andava alheado, ausente. E ela partiu!! Partiu numa noite, sem que ninguém desse conta, partiu como a brisa que passa, ou com a própria brisa...não sei ao certo. Sei que caminhou rumo ao seu sonho “O Mar”! Deve de ter caminhado dias sem conta e sei que embarcou clandestina, num barco cheio de emigrantes.
João era um homem fechado. Havia no seu rosto traços marcados pelas lides do mar. Era homem de poucas palavras. Ninguém sabe o que aconteceu naquele barco...mas talvez o silêncio os unisse tanto, que João decidiu tomar conta de Igara (por certo o silencio os uniria...mas eu gosto de pensar que existia também Amor!).
João levou-a para a sua terra, também junto do Mar, mas afastou-a do povoado. Levou-a para uma pequena gruta, conhecida por poucos, longe da curiosidade de todos! Muitas vezes Igara era vista a contemplar o Mar, por entre as escarpas dos montes, mas todos se mantinham afastados da “muda” como se ela fosse um mau presságio!
Mas era verdade, Igara permanecia fechada e muda, a tudo o que não fosse João e o seu Mar. Igara tecia, urdia, cardava, cultivava e no escuro da noite, caçava. Muitos viviam apavorados coma s sombras nocturnas, que vagueavam nos pinhais, nos campos mas que se acalmavam sempre junto á praia.
Tenho em mim a crença que Igara continuava ainda a sonhar...a vagar...perdida na imensidão do mar!
Vivi, neta de Igara, a pessoa que me criou, a quem eu teimosamente chamava Titi (tal como Igara insistia), falava-me dela vezes sem conta. Eu sorvia cada palavra como se se tratasse da minha Estrela.
Ainda hoje, penso nela muitas vezes!
Penso nela...quando observo o Mar que tanto Amo!
Penso nela...quando o Sol se esbate no Horizonte!
Penso nela...nos momentos em que fico muda, envolta em pensamentos que me perturbam!
Penso nela...quando olho para os meus filhos e me sinto, por eles num olhar, prisioneira de Alma!
Penso nela...quando busco em Sonhos, realidades que não possuo!
Gosto de pensar que existe em mim, algo em bruto...algo que é selvagem e livre!
Algo que me faz voar com as minhas asas buscando sempre o meu querer!
Algo que me permite expressar Amor, sem recurso a outra coisa que não sejam as palavras!
Gosto de pensar, que a vida é curta, e que por isso tem que ser vivida intensamente, segundo a segundo, com a força e entrega do momento derradeiro!
É por isso que não me calo nas palavras, e que direi que amo, a cada toque que a minha Alma sentir!
publicado por igara às 16:52
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6 comentários:
De Anónimo a 6 de Junho de 2005 às 11:32
Palavras assim só de uma pessoa muito bonita; faz-nos pensar que o amor é o guia da nossa vida e que a devemos tentar viver um dia de cada vez e aproveitá-la ao máximo e ler textos assim certamente nos inspira,:)Gonças
</a>
(mailto:goncalomrodrigues@hotmail.com)


De Anónimo a 21 de Maio de 2005 às 10:46
Blog praki... blog prali... hoje em dia todos andam a blogar, quem é k hj em dia não tem 1 blog para mostrar... Mas não basta so escrever, é preciso ter conteúdo, porque ninguem gosta de ler uma coisa que roce o absurdo. Que escreva quem sabe, quem pensa e quem gosta, pois quando lemos o que escrevem vemos logo que foi uma boa aposta =) eheh bejos bom blogGil
</a>
(mailto:oliveira.gil@netcabo.pt)


De Anónimo a 18 de Maio de 2005 às 15:53
Lindo, lindo, lindo.....Lindãoooo.Bliblibli
</a>
(mailto:bliblibli@sapo.pt)


De Anónimo a 16 de Maio de 2005 às 18:26
Eu já tinha tido o previlégio de ler estas palavras tão ternas e cheias de sentimentos... que em mim despertam emoções e cheiros que me são familiares. Voa amiga... Voa o mais alto que conseguires... para teres a certeza que o Mundo é só um pouquinho de terra... que tem significado porque tu existes. Beijos mana mai lindaaaaaaaaaaa.pataininiti algarvia
</a>
(mailto:pataininiti@sapo.pt)


De Anónimo a 16 de Maio de 2005 às 17:38
Tá lindo este texto ... és mesmo tu e q bela herança a tua Avó te deixou :) Passo
(http://www.versus.blogs.sapo.pt)
(mailto:Passodianisto@hotmail.com)


De Anónimo a 16 de Maio de 2005 às 17:08
Ainda bem que decidiste voltar a navegar neste universo que é teu. Adorei ler-te, desta vez algo diferente, mas de uma beleza tal... Eu que já conheço as tuas palavras, apenas posso dizer que são uma lufada de ar fresco e sempre arrojada. Voa sim, porque aqueles que não voam por medo, vivem apenas pela metade. Beijo grande :)Causa
(http://bloguiando.blogs.sapo.pt)
(mailto:Causa_E_Efeito@sapo.pt)


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