Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2006

Ser.

dualidade.jpg


Ninguém ao certo me conhece


ou me viu passar nas lonjuras do celeste


ou nos brandos arvoredos.


E contudo...sou tão do longínquo


como da baixa ramagem.


Sou. O grito da gaivota no céu,


o silêncio morno da terra adormecida.


A boca que morde, o beijo que demora,


A mão que afaga, que dá e que tira.


Sou. A Obra e a Obreira.


A corda que amarra e o nó desfeito.


Sou. O Mel e o Fel.


Feneço aqui e ali para meu canto elevar.


Sou cruel.


Tempero a palavra amarga com sal,


alastro a ferida e te pergunto,


quase gentil, sem direito,


“como estás?”.


Tempero fogo com frio,


poção de trevas e luz.


Sou. A aurora e o olhar que a vigia.


Meu segredo, quem o adivinhou?


....Quem alcançou minha prece?


Nestes temperados contrários,


avesso, direito e adverso,


ninguém sabe quem sou...


se o espelho e a imagem,


se o choro e o riso.


Sou. A que parte e a que fica, 


a lágrima de fugida num qualquer cais.


Absurda sensação de tudo e nada reunir!!!


Assim Ser e Não Ser.


Que Ser? Serei?


Mil vezes abro a boca...e nada digo.


Nos vossos olhos semeio sorrisos


que ganho ao tempo


em troca de beijos adiados....


Neste (in)verso... me sinto doce,


como um fruto novo.


Na mor quietação da alma,


pressagio, apenas,


...saber ao que vim!


@utor: Over_the_Rainbow

</blockquote>
publicado por igara às 15:32
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9 comentários:
De Anónimo a 11 de Janeiro de 2006 às 17:14
Sorvi as palavras ,como tantas vezes te sorvo, resplandece o retrato de alguém ( tua amiga por certo) nos meandros do sentido dos conceitos que tão bem sabes transformar, revolver, expôr...esse teu jeito de brincar com as palavras torna-te "enorme" como só são, as pessoas com tal dimensão de alma.
Acima do arcoiris, com quem partilho o céu, a terra, o quarto ( minguante da lua). acabaste, nesse poema, por ser o que sei de ti, o que sempre te adivinhei, deambulas entre o mel e o fel, porque essa foi ruela que o destino te pousou aos pés.
De mim faz um guia, para que te dê o quadrante certo e a luminosidade emergente te traga o sorriso que me sabes dar.
um beijo, um toque na mão, um afago sobre a cabeça que deixo displicente no teu colo.
Voldenuit
</a>
(mailto:gabriel2000@clix.pt)


De Anónimo a 11 de Janeiro de 2006 às 09:31
:) olá querida.-.. que poema lindo.. faz-nos pensar.. que sim.. todos nós possuimos várias personalidades num só ser...
Espero que sorrias todos os dias.. beijinhos milvera
(http://www.familiapatricio.blogs.sapo.pt)
(mailto:toubarro@hotmail.com)


De Anónimo a 10 de Janeiro de 2006 às 17:46
belo poem q nos faz pensar no proposito das nossas vidas, o q nos traz p ca ... digo eu q n percebo nada distoPasso
(http://www.versus.sapo.blogs.pt)
(mailto:passodianisto@hotmail.com)


De Anónimo a 9 de Janeiro de 2006 às 22:46
Não conheço a Igara, por isso não me posso pronunciar quanto ao retrato. Mas que o poema é lindo...sem duvida é!!! Gostei imenso. Parabéns TEA beijospluma(princesavirtual)
(http://www.princesavirtual.blogs.sapo.pt)
(mailto:plumacaprichosa@hotmail.com)


De Anónimo a 9 de Janeiro de 2006 às 18:28
HAHAHAHAHAHAHHA pinochio, tão que então contentinho por me ver despida hein? Um beijo grande para ti meu amigo, ahhh e abracinho também! Beijo ::)))igara
(http://www.bloguiando.blogs.sapo.pt)
(mailto:igara@sapo.pt)


De Anónimo a 9 de Janeiro de 2006 às 13:08
É impressionante como existem pessoas capazes de transpor para o papel o que muitas vezes se sente mas não se diz, ou que muitas vezes se pensa e não se faz. A over, pelo que já percebi é uma dessas pessoas com a capacidade de nos despir... capacidade de nos fazer sentir fragilizadas a cada sílaba. Adorei este poema, e na verdade, identifico-me tambem com ele a cada passagem. Minha linda irmã Igara, bem-vinda de novo a este teu espaço, a este tua casa. Posso imaginar como te identificas tambem com este belo poema. Beijo enorme.pataininiti algarvia
(http://bloguiando.blogs.sapo.pt)
(mailto:pataininiti@sapo.pt)


De Anónimo a 8 de Janeiro de 2006 às 19:30
Dito com Alma...simplesmente! Gostei mas, não tenho o dom da palavra. 1 bjBrida
(http://pensamentos da alma)
(mailto:Brida_a@sapo.pt)


De Anónimo a 7 de Janeiro de 2006 às 11:24
Devo dizer antes de tudo que este oema está fantástico. è de facto um retrato muito bem focado de uma mulher misteriosa, que pode ser meiga ou agressiva, próxima ou distante, determinada ou vacilante. Ou apenas um pouco de tudo. Diz a Igara que é um retrato que lhe assenta perfeitamente. Que se sente completamente nua neste poema, ( retrato).
Agora digo eu que nunca esperei a felicidade de ver a Igara assim despida. Mas continua como sempre: LINDA. Obrigado à Over por a ter conseguido despir e compartilhar conosco toda essa esplendorosa nudez. È por que não dispenso a minha visita matinal diária, a este cantinho encantador.Pinochiop
(http://www.edenglorioso.blog.sapo.pt)
(mailto:pinochio@sapo.pt)


De Anónimo a 6 de Janeiro de 2006 às 15:39
Este poema é muito especial para mim porque me foi dedicado. A Over, é sem duvida aquela que conseguiu captar de mim a essência.Estive muito tempo na duvida de publicar este poema, pela forma como me toca, pela forma como me despe...mas por ser belo, eu jamais o teria só para mim, teria sempre que o partilhar. Partilho-o convosco...partilho a Over convosco, para que a conheçam melhor também. Beijos grandes ::)))igara
(http://www.bloguiando.blogs.sapo.pt)
(mailto:igara@sapo.pt)


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